Chego a casa cansada, muito cansada. Cansada não fisicamente, mas psicologicamente. Custa ter de te ver dia após dia, ter de te encarar como se não fosse nada, como se estivesse tudo bem. Das poucas vezes que estamos juntos tenho um sorriso como se fosse a pessoa mais feliz à face da terra, fico com as bochechas rosadas e fico à espera que me olhes nos olhos e me dês os dois beijinhos diários. Parece que há química nesses momentos, mas depois desvias o olhar, ajeitas o cabelo com um pequeno abanão e vais embora.
Ponho-me a pensar o que sentes cada vez que te despedes, o porquê de nos despedirmos, o porquê de não passarmos mais tempo juntos. Podes nunca ter percebido, ou talvez não ter tentado perceber, mas admiro-te imenso, passou… passou o tempo necessário depois do meu primeiro “olá”. Eu lembro-me, tu não? Foi há muito tempo, não. Passaram muitas situações por nós desde então? Pois foi, tantos problemas, tantas discussões, tantos desentendimentos, tantas palavras sem sentido que nos saíram da boca para fora. Mas como bons amigos que nos considero aos dois, ultrapassámos tudo. Conseguimos ultrapassar as dificuldades e os obstáculos que a vida nos punha na frente para acabar com a nossa amizade. Será? Será o nosso amor é forte o suficiente para superar os contra-tempos que a vida nos oferece? Nem sempre tenho essa certeza, nem sempre acredito em tudo o que me dizes e mostras, nem sempre te consigo olhar nos olhos e perceber se é verdadeiro ou não o que me estás a fazer sentir quando nos aproximamos.
Dás-me uma felicidade imensa, mas ao mesmo tempo causas-me um transtorno e muitas dúvidas a vaguear na minha cabeça. Talvez o que tenha dentro da cabeça seja um pouco mais que o meu cérebro, miolos ou neurónios, não sei como se chama a bola de pastilha elástica gigante que temos enfiada forçadamente dentro da nossa cabeça, talvez sejam as três pecinhas que referi à pouco, mas como não sou normal se calhar tenho só cérebro e um bocadinho de coração. Mas como te estava a dizer, na minha cabeça além da pedra que lá ocupa espaço ainda tenho espaço para o amor que sinto por ti, e agora deves-te estar a perguntar “Mas toda a gente guarda o amor no coração. Tu amas-me ou não passo de um pensamento persistindo em ti?”, e se queres que te diga, eu te explico: o amor eu sempre o guardei no coração, todos os momentos com as pessoas mais especiais não estão gravados na cabeça, estão fechados a sete chaves no coração. Só porque o meu coração encheu, amei demasiado e honestamente pessoas que não mereciam o meu amor, dei demasiada importância a pessoas que afinal não passavam de indiferentes – não estou a dizer que és um caso desses, muito pelo contrário – tu marcas uma grande diferença em mim, e já te amei tanto que todo o amor que senti se foi acumulando no meu coração, até que chegou ao limite, e que eu saiba não tinha mais nenhum buraquinho para por o amor e alegria que me proporcionas. Se pudesse tentava agarrá-lo com a minha mão, e mete-lo no bolso, mas não dá. E a minha cabeça é um local seguro, é um lugar onde só eu posso ir, um lugar de que só eu posso desfrutar, um lugar que eu e somente eu posso dizer que sou feliz. Mas quero que saibas que o meu coração é algo de enorme, e se esgotou o espaço nele com o amor que sentia por ti, é mais uma prova de que te amo muito.
E agora, não questiones, não digas nada. É a minha vez de falar, amo-te! ♥
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